Laboratório Nacional
de Luz Síncrotron

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Sirius já tem mais de 50% das obras civis concluídas

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Recentemente foi iniciada a construção dos pisos dos aceleradores, fase mais desafiadora das edificações


O Sirius – novo acelerador de elétrons do Centro Nacional de Pesquisa em Energia de Materiais (CNPEM) – considerado o projeto mais sofisticado da ciência brasileira – já tem mais da metade das suas obras concluídas. A construção civil deverá ser finalizada no final deste ano e a previsão da inauguração da fonte de luz é 2018, quando o primeiro feixe de elétrons deverá passar pelo acelerador.

Obras do Sirius em 4 de Maio de 2017

O Sirius será uma ferramenta científica de última geração, usada na análise estrutural dos mais diversos materiais, orgânicos ou não. A luz síncrotron é responsável por atravessar as amostras e revelar as informações a respeito dos materiais investigados, no nível dos seus átomos e moléculas.

Planejada para ser uma das mais avançadas do mundo, a fonte de luz Sirius será composta por um conjunto de aceleradores de elétrons de última geração e por estações experimentais, chamadas “linhas de luz”.

Todo esse complexo científico ficará abrigado dentro de um edifício de 68 mil metros quadrados, construído em uma área de 150 mil metros quadrados, próxima ao campus do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas (SP). As obras tiveram início em dezembro de 2014. O prédio está entre as obras civis mais sofisticadas já construídas no país, com exigências de estabilidade mecânica e térmica sem precedentes.

Pisos Especiais

Atualmente está em finalização a cobertura do prédio que abrigará a nova fonte. A montagem da primeira de três camadas da cobertura já foi concluída. Paralelamente à cobertura do prédio, foi executada a fundação do piso especial que receberá o acelerador de elétrons. A fundação foi iniciada com a escavação de quatro metros do solo na região do hall experimental (onde será instalado o acelerador), seguida pela implantação de cerca de 1300 estacas de concreto.

Atualmente está sendo realizada a recolocação do solo no local, reforçado com cimento e agregados, compondo um maciço sobre o qual serão construídos os pisos dos aceleradores e linhas de luz. Esta fundação é planejada para evitar recalques diferenciais, e contribui para isolar as vibrações mecânicas provenientes do seu exterior, garantindo um alto nível de estabilidade dos equipamentos que serão instalados sobre o local.

O piso onde serão montados os dois aceleradores (booster e anel de armazenamento) será constituído de uma única peça de concreto armado, com espessura de 90 cm, e consumirá cerca de setenta mil m³ de concreto especial de baixíssima retração, além de 900 toneladas de aço. Este piso será de alto nivelamento (com variação menor que 20 mm ao longo de toda sua área) e alta planicidade. Como o feixe de elétrons do Sirius deverá ter dimensões micrométricas (ou seja, cerca de mil vezes menor que um milímetro), a estabilidade nesta região é considerada um parâmetro crítico do processo construtivo.

Estes cuidados são importantes porque, quanto mais concentrado for o feixe de elétrons, melhor e mais brilhante será a luz síncrotron produzida e entregue para os pesquisadores. A luz síncrotron é a responsável por atravessar as amostras e revelar as informações a respeito dos materiais investigados, de forma que a qualidade da luz gerada a partir da aceleração dos elétrons é determinante para a qualidade dos resultados das pesquisas.

Outras etapas da construção

  • A cavidade de radiofrequência do booster foi entregue pela empresa alemã RI em fevereiro de 2017. Ela é responsável por acelerar os elétrons, e é alimentada por uma potência gerada por torres de radiofrequência fabricados internamente, e que estão atualmente em produção.
  • Em março de 2017, foi construído o primeiro protótipo das cabanas que protegerão as estações experimentais do Sirius. Essas cabanas serão responsáveis por comportar boa parte do aparato científico das linhas de luz e para proteção contra radiação.
  • Em abril foi entregue o último lote dos ímas-dipolos para o acelerador injetor do Sirius, fabricados pela WEG, de Santa Catarina. Ao todo, os aceleradores do Sirius terão mais de mil ímas, de diversos tipos, responsáveis por guiar a trajetória dos elétrons.
  • O acelerador linear (Linac) foi comprado de uma empresa chinesa, será entregue em Julho e instalado no Sirius ainda em Setembro de 2017.
  • Em novembro de 2017, os blocos que suportarão os ímas do acelerador começarão a ser instalados no túnel.