Estação experimental da linha de luz Paineira (Créditos: Divulgação/CNPEM)
Novo modo de operação permite o envio de amostras em pó para medidas automatizadas de difração de raios X de materiais policristalinos, ampliando o acesso à linha de luz sem a necessidade de deslocamento dos usuários ao CNPEM
A linha de luz Paineira, dedicada a medidas de difração de raios X de materiais policristalinos (SR-PXRD) no Sirius, acaba de lançar um novo modo de operação: o Mail-in. A modalidade permite que pesquisadores submetam amostras em pó para análises de alta qualidade sem a necessidade de deslocamento até o CNPEM, ampliando as possibilidades de acesso à infraestrutura científica.
No modo Mail-in, a submissão de propostas ocorre de forma contínua pelo Portal SAU Online, com avaliação realizada pela equipe da linha de luz. Após a submissão, a avaliação de segurança e a aceitação da proposta, os porta-amostras são enviados ao endereço do proponente. O usuário prepara as amostras em capilares de Kapton, seguindo as orientações de um manual específico, registra o material no sistema online ICAT e o envia de volta ao CNPEM.
Após o recebimento das amostras no Sirius, as medições são realizadas de forma totalmente automatizada. Os experimentos são preferencialmente conduzidos à noite, em feriados e fins de semana, e o usuário não precisa estar presente nem acompanhar ou monitorar remotamente a aquisição dos dados. Após a medição, os padrões de SR-PXRD ficam disponíveis automaticamente no sistema ICAT ou são enviados por e-mail ao proponente.
O prazo para realização das medidas é de um a três meses após a chegada das amostras ao Sirius. A modalidade permite o uso tanto do detector de alta resolução MAC, com resolução de 0,008º de FWHM a 16 keV, quanto do detector rápido PIMEGA 450D, com resolução de 0,050º de FWHM nas energias disponíveis entre 12 e 25 keV. As medidas podem ser realizadas à temperatura ambiente ou com variação de temperatura, utilizando um cryojet na faixa de 90 a 470 K.
O tempo de aquisição, incluindo o tempo morto, é de aproximadamente 4 horas por amostra no modo de alta resolução e 5 minutos por amostra com o detector rápido. Cada proposta pode incluir até 6 amostras para análises de alta resolução ou até 40 amostras para medidas com o detector rápido em temperatura ambiente.
A modalidade Mail-in amplia as possibilidades de acesso ao Sirius ao permitir que determinadas medidas sejam realizadas sem a presença física dos usuários na linha de luz. A automação dos experimentos também possibilita o aproveitamento preferencial de períodos noturnos, fins de semana e feriados, contribuindo para uma utilização mais eficiente do tempo de feixe.
Legenda: Vídeo explicativo sobre o funcionamento do sistema High-Throughput da linha de luz Paineira.
A modalidade é destinada exclusivamente a amostras inertes que possam ser transportadas pelo sistema de entrega expressa comum. Entre os exemplos estão minerais, argilas, cerâmicas, solos, produtos farmacêuticos, ligas metálicas, óxidos, hidróxidos e metais. Não serão recebidas amostras inflamáveis, pirofóricas, explosivas, instáveis, oxidantes, radioativas, materiais que apresentem risco biológico ou amostras derivadas de humanos.
Nesta primeira versão, o modo Mail-in está disponível para amostras enviadas a partir do Brasil e de países da América Latina, incluindo o Caribe. Não há limite para o número de propostas que um grupo de pesquisa pode submeter. Em situações de alta demanda, entretanto, a equipe da linha de luz poderá priorizar medidas inéditas ou relacionadas à publicação de artigos, dissertações de mestrado ou teses de doutorado com prazos próximos.
O lançamento do modo Mail-in representa mais uma iniciativa para ampliar e diversificar as formas de acesso da comunidade científica ao Sirius. Ao combinar submissão contínua de propostas, automação e envio de amostras, a nova modalidade oferece uma alternativa para pesquisadores que podem realizar seus experimentos sem a necessidade de acompanhamento presencial.
Mais informações estão disponíveis na página da linha de luz Paineira e no sistema SAU Online.
O Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) abriga um ambiente científico de fronteira, multiusuário e multidisciplinar, com ações em diferentes frentes do Sistema Nacional de CT&I. Organização Social supervisionada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), com interveniência do Ministério da Educação e do Ministério da Saúde, o CNPEM é impulsionado por pesquisas que impactam as áreas de saúde, energia, materiais renováveis e sustentabilidade. Responsável pelo Sirius, maior equipamento científico já construído no País. O CNPEM hoje desenvolve o projeto Orion, complexo laboratorial para pesquisas avançadas em patógenos. Equipes altamente especializadas em ciência e engenharia, infraestruturas sofisticadas abertas à comunidade científica, linhas estratégicas de investigação, projetos inovadores com o setor produtivo e formação de pesquisadores e estudantes compõem os pilares da atuação deste centro único no País, capaz de atuar como ponte entre conhecimento e inovação. As atividades de pesquisa e desenvolvimento do CNPEM são realizadas por seus Laboratórios Nacionais de: Luz Síncrotron (LNLS), Biociências (LNBio), Nanotecnologia (LNNano) e Biorrenováveis (LNBR), além de sua unidade de Tecnologia (DAT) e da Ilum Escola de Ciência, curso de bacharelado em Ciência e Tecnologia.
A submissão de propostas poderá ser feita entre 25 de agosto e 15 de setembro de 2026. Pesquisadores poderão ser contatados pelos coordenadores das linhas de luz para esclarecimentos e eventuais adequações das propostas submetidas até 29 de setembro de 2026.
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