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Atualizações do Sirius

14 de Janeiro de 2026

Projetada para alcançar resoluções da ordem de 1 nanômetro, a estação Sapoti da linha de luz Carnaúba combina criogenia, ultra-alto vácuo e engenharia mecatrônica de ponta para revelar estruturas na escala atômica

A Sapoti (Scanning Analysis by PtychO for Tomographic Imaging) é uma das duas estações experimentais da linha de luz Carnaúba, no Sirius. A instalação é uma das estações mais sofisticadas e desafiadoras já desenvolvidas no acelerador brasileiro. Seu objetivo é alcançar resoluções da ordem de 1 nanômetro em imageamento e tomografia de raios X coerentes, um desempenho que a coloca entre os instrumentos de maior precisão do mundo em microscopia baseada em luz síncrotron. 

As estações experimentais da linha de luz Carnaúba

A Carnaúba, que opera na faixa de energia de 2,05 a 15 keV, foi projetada para a realização de medidas simultâneas com múltiplas técnicas analíticas de raios X, incluindo difração, espectroscopia, fluorescência e luminescência, além de imageamento em duas e três dimensões. É a linha mais longa do Sirius e utiliza um feixe altamente brilhante proveniente de um ondulador, explorando todo o potencial de coerência e intensidade que uma fonte de luz síncrotron de quarta geração pode fornecer.

[caption id="attachment_72828" align="aligncenter" width="800"] Parte da infraestrutura da linha de luz Carnaúba, no Sirius. A linha conta com duas estações experimentais, localizadas a 136 e 142 m da fonte de raios X, um ondulador de polarização vertical.[/caption]

Sua infraestrutura abriga duas estações experimentais complementares. A estação Tarumã foi projetada para experimentos in situ, in vivo (com plantas) e em condições criogênicas, operando em ambiente aberto e com alta flexibilidade para diferentes tipos de amostras. Já a Sapoti opera em ultra-alto vácuo e também em condições criogênicas, o que garante ainda maior estabilidade térmica e mecânica, levando a melhores resoluções espaciais, além de melhores condições para experimentos no limite inferior de energia.

[caption id="attachment_72829" align="aligncenter" width="800"] A estação experimental Sapoti faz parte da linha de luz Carnaúba do Sirius e será capaz de atingir resoluções de até 1 nanômetro em experimentos de imageamento com raios X.[/caption]

Desde sua concepção, iniciada em 2018, a estação Sapoti foi projetada para ultrapassar os limites tradicionais de resolução em nanoprobes — sistemas que focalizam raios X em pontos nanométricos para mapear propriedades de materiais com altíssima precisão — de fontes de luz síncrotron. Para isso, foram combinadas soluções avançadas em óptica e mecatrônica de alta complexidade. O feixe de raios X, com energias de 2,05 a 15 keV, é focalizado por um conjunto de espelhos do tipo Kirkpatrick–Baez (KB), capazes de produzir feixes de raios X totalmente coerentes com tamanho entre 30 e 140 nanômetros. 

Diferente de outros sistemas que utilizam elementos refrativos, os espelhos KB apresentam maior eficiência e insensibilidade a mudanças de energia do feixe, o que é importante para experimentos de espectroscopia, mas, por outro lado, possuem maiores exigências mecânicas, um desafio superado por meio de soluções desenvolvidas no próprio LNLS, aplicando princípios avançados de engenharia de precisão. 

Segundo Renan Geraldes, engenheiro físico e líder do grupo de Mecatrônica e Engenharia de Precisão do LNLS/CNPEM, o desenvolvimento da Sapoti também foi um exercício de inovação e aprendizado contínuo. "Desde o início já era esperado que a Sapoti fosse uma das estações com os maiores desafios técnicos que a gente teria que desenvolver. Foi um projeto que extraiu o máximo das nossas ferramentas de mecatrônica de precisão, engenharia de sistemas e design preditivo. O vácuo, a criogenia, a óptica, a transferência e posicionamento de amostras — era preciso compatibilizar tudo isso.” 

Os desafios técnicos superados pela estação Sapoti

A estação experimental Sapoti conta com um avançado estágio de posicionamento da amostra, um sistema mecatrônico de arquitetura inovadora desenvolvido em colaboração com a empresa holandesa MI-Partners. Inspirado em tecnologias usadas na indústria de semicondutores, o estágio utiliza atuadores de Lorentz em vez de piezoelétricos convencionais, o que permite combinar resolução nanométrica com amplitude de movimento milimétrica. Essa abordagem possibilita navegar com precisão de 1 nm ao longo de trajetórias tridimensionais com alcance de até 3 mm, algo inédito em nanoprobes de raios X. 

A Sapoti é uma estação totalmente operada em vácuo, na qual os espelhos KB, a amostra e parte dos detectores compartilham a mesma câmara. Essa configuração garante uma melhoria na estabilidade dos componentes, garantindo maior rigidez e precisão no alinhamento, e a redução de perdas por absorção em energias mais baixas. 

A estação também é capaz de operar sob temperaturas criogênicas controladas, entre 100 e 300 K, condições que não apenas ajudam a mitigar danos por radiação, mas também permitem o estudo de amostras biológicas congeladas e materiais sensíveis. Para isso, a Sapoti conta com um sistema de criogenia integrado ao estágio, dotado deum módulo de carregamento criogênico com sistema de transferência em vácuo, que possibilita a inserção e manipulação das amostras sem exposição ao ar, preservando suas propriedades físicas e químicas desde a preparação até a aquisição dos dados.

[caption id="attachment_72830" align="aligncenter" width="533"] Porta-amostras CARPIN, padrão da linha Carnaúba, projetado para acomodar diferentes tipos de amostras em experimentos de micro e nanoscopia no Sirius.[/caption]

Para garantir versatilidade na manipulação de diferentes tipos de amostras, a Sapoti utiliza um porta-amostras padrão desenvolvido especialmente para a linha Carnaúba, denominado CARPIN (CARnaúba PIN). Inspirado no sistema OMNY PIN, empregado na linha cSAXS do Swiss Light Source (SLS), o CARPIN foi concebido como uma interface universal capaz de acomodar amostras com dimensões que variam de micrômetros a poucos milímetros, incluindo amostras sólidas, líquidos, pastas, pós, grades de microscopia eletrônica e membranas finas. Essa flexibilidade favorece o intercâmbio de amostras entre diferentes linhas de luz do Sirius ou mesmo outros síncrotrons, ampliando as possibilidades de experimentos complementares ou colaborativos. 

A montagem da Sapoti envolveu uma série de etapas de integração complexas. Os primeiros testes com o sistema no primeiro semestre de 2025 mostraram resultados promissores. "Mesmo em fase inicial de comissionamento, a Sapoti atingiu estabilidade de posição de cerca de 3 nanômetros, já permitindo a obtenção de imagens com resolução estimada de 5.5 nanômetros, desempenho superior ao alcançado pela Tarumã, mesmo após alguns anos de operação. À medida que o sistema avança em calibração e ajustes finos, espera-se atingir o limite projetado de 1 nanômetro, consolidando a Sapoti entre as estações experimentais mais avançadas do mundo em microscopia de raios X coerentes.", destaca Renan. 

Integração com novo ondulador de polarização vertical

[caption id="attachment_72831" align="aligncenter" width="800"] Ondulador de polarização vertical da linha de luz Carnaúba instalado no anel de armazenamento do Sirius.[/caption]

Em 2025, a Carnaúba passou a operar com um novo ondulador de polarização vertical (VPU), um avanço estrutural que amplia de forma significativa o conjunto de experimentos atendidos pela linha. O novo dispositivo permite acessar energias abaixo de 6 keV, abrindo caminho para a obtenção de espectros de elementos leves — como V, Ti, Ca, S e P — e fortalecendo aplicações em áreas como semicondutores, ciências do solo, agricultura, biomateriais, geociências e estudos ambientais. Com maior brilho em baixas energias e excelente coerência, o VPU também aumenta o contraste em imageamento coerente de tecidos biológicos, revelando estruturas subcelulares pouco exploradas em energias mais altas. 

Segundo o coordenador da linha, Rodrigo Szostak, “a instalação do novo ondulador nos permite investigar amostras com elementos mais leves e de amplo interesse em várias áreas do conhecimento. Combinar essa ampliação da faixa espectral às características intrínsecas da Carnaúba faz com que essa infraestrutura se torne uma ferramenta poderosa e sem precedentes para estudos em agro e geociências, ciências do solo, meio ambiente e materiais.” Os primeiros testes já validaram medidas de elementos químicos em amostras padrão, e os experimentos completos nessa nova faixa de energia estão previstos para o próximo ano. 

Há também um aspecto estratégico importante: pouquíssimas linhas de luz de micro e nanoscopia em síncrotrons de 3ª e 4ª geração operam com boa performance abaixo de 6 keV, o que coloca a Carnaúba em posição singular no cenário internacional. “Será uma janela de oportunidades para pesquisadores idealizarem e realizarem novos experimentos que aproveitem todo o potencial das linhas de luz do Sirius”, afirma Szostak. 

Com sua combinação de alta estabilidade, criogenia, vácuo e controle mecatrônico de última geração, a Sapoti representa um salto tecnológico e científico para o Sirius e para o Brasil, abrindo caminho para novas fronteiras em nanociência, biologia estrutural e ciência dos materiais.

Sobre o CNPEM

O Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) abriga um ambiente científico de fronteira, multiusuário e multidisciplinar, com ações em diferentes frentes do Sistema Nacional de CT&I. Organização Social supervisionada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o CNPEM é impulsionado por pesquisas que impactam as áreas de saúde, energia, materiais renováveis e sustentabilidade. Responsável pelo Sirius, maior equipamento científico já construído no País. O CNPEM hoje desenvolve o projeto Orion, complexo laboratorial para pesquisas avançadas em patógenos. Equipes altamente especializadas em ciência e engenharia, infraestruturas sofisticadas abertas à comunidade científica, linhas estratégicas de investigação, projetos inovadores com o setor produtivo e formação de pesquisadores e estudantes compõem os pilares da atuação deste centro único no País, capaz de atuar como ponte entre conhecimento e inovação. As atividades de pesquisa e desenvolvimento do CNPEM são realizadas por seus Laboratórios Nacionais de: Luz Síncrotron (LNLS), Biociências (LNBio), Nanotecnologia (LNNano) e Biorrenováveis (LNBR), além de sua unidade de Tecnologia (DAT) e da Ilum Escola de Ciência, curso de bacharelado em Ciência e Tecnologia, com apoio do Ministério da Educação (MEC). https://cnpem.br/

18 de Novembro de 2025

Dos 375 projetos submetidos, 119 foram selecionados para desenvolvimento no primeiro semestre de 2026 nas linhas de luz do Sirius.

O Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), organização social vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), anunciou os projetos selecionados na sexta chamada pública para realização de experimentos científicos na linha de luz – como são chamadas as estações de pesquisas do Sirius, a maior infraestrutura científica já construída no País. 

30 de Julho de 2025

A submissão de propostas poderá ser feita entre 1 e 22 de agosto de 2025

O Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), organização supervisionada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), anuncia a abertura da sexta chamada regular de propostas de pesquisa para o Sirius, a fonte de luz síncrotron brasileira de quarta geração operada pelo Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS).

23 de Abril de 2025

Infraestrutura desenvolvida em parceria com a Petrobras permite imageamento tomográfico multiescala e automatizado de amostras carbonáticas

O Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), organização Social vinculada ao MCTI, e a Petrobras concluíram a primeira fase de uma parceria tecnológica que vai permitir avanços na exploração e ampliar as possibilidades de pesquisa em óleo e gás. A base do projeto é utilizar uma das estações de pesquisa do Sirius, maior e mais complexa infraestrutura científica do Brasil, para fazer imagens 3D de rochas do pré-sal de forma automatizada, o que é capaz de gerar grandes volumes de dados rapidamente.

28 de Novembro de 2024

A mudança representa um salto nas capacidades de pesquisa das linhas de luz

O aumento da corrente armazenada nos aceleradores do Sirius de 100 mA para 200 mA é resultado de um período de manutenções que envolveu a instalação de novos componentes, como duas cavidade de radiofrequência supercondutoras. Esta mudança representa um salto significativo para as capacidades de pesquisa das linhas de luz do Sirius.

2 de Agosto de 2024

Componente permitirá o aumento de corrente no Anel de Armazenamento, garantindo maior fluxo de fótons para as linhas de luz

Entre agosto e outubro deste ano, os aceleradores do Sirius passarão por um importante período de manutenção. Durante esses meses, novos componentes serão instalados no anel de armazenamento.  Ao aumentar significativamente o fluxo de fótons para as linhas de luz, as mudanças trarão diversos benefícios para os usuários, como experimentos mais rápidos e maior resolução temporal.

29 de Julho de 2024

Estação de pesquisa dedicada à técnica de Espalhamento de Raios-X a Baixos Ângulos passa para a etapa de comissionamento técnico e científico

O detector da estação experimental Sapucaia recebeu recentemente seu primeiro feixe de raios X gerado pelos aceleradores de elétrons do Sirius. Dedicada à técnica de Espalhamento de Raios X a Baixos Ângulos (SAXS), a linha de luz será uma importante ferramenta para o estudo de propriedades morfológicas e dinâmicas de objetos nano e microestruturados.

24 de Junho de 2024

Dez linhas de luz estão em operação e podem receber propostas regulares.

Atenção! A data-limite para submissão de propostas para a quarta chamada de projetos de pesquisa para dez linhas de luz do Sirius foi prorrogada até quinta-feira, dia 27 de junho. A prorrogação deve-se a dificuldades sistêmicas incomuns relatadas por alguns usuários internacionais na submissão de suas propostas.

18 de Dezembro de 2023

232 novos projetos serão desenvolvidos nas linhas de luz do Sirius ao longo do primeiro semestre de 2024

O Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), organização supervisionada pelo Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), divulgou a lista de projetos científicos aprovados para uso das instalações de pesquisa do Sirius, a maior e mais complexa infraestrutura de pesquisa do Brasil, dedicada à análise da estrutura dos mais diversos materiais em micro e nanoescala.

24 de Novembro de 2023

Componente é o primeiro do tipo a ser instalado em um anel de armazenamento de uma fonte de luz síncrotron

Neste mês de novembro, membros dos grupos da Divisão de Tecnologia do CNPEM trabalharam no processo de substituição do ondulador da linha de luz Sabiá, que opera na faixa de raios X moles e é dedicada a técnicas de absorção de raios X, em particular de dicroísmo linear ou circular de materiais magnéticos (XLD, XMLD, XMCD) e microscopia de fotoemissão de elétrons (PEEM).